A história dos povos indígenas de São Paulo



As terras que na atualidade conhecemos como Brasil foram ocupadas há milhares de anos por alguns grupos humanos que, apesar de pouco numerosos, deixaram vestígios de sua existência.

Em vários pontos do Brasil, como no Parque Nacional da Serra da Capivara, achados arqueológicos importantes, como o da Pedra Furada, no município de São Raimundo Nonato, no sudoeste do Piauí, onde foram encontradas centenas de pinturas rupestres na chamada Toca do Boqueirão, ajudam a compor cada vez mais a história do povoamento americano. As pinturas representam aspectos do dia a dia, ritos e cerimônias dos antigos habitantes da região, além de figuras de animais, alguns já extintos. Nas escavações ali realizadas, os pesquisadores encontraram ferramentas, restos de utensílios de cerâmica e sepultamentos.

Mais ao sul do território brasileiro, vestígios arqueológicos revelam que existiam grupos basicamente de caçadores. A região da bacia do Rio Paraná era habitada por grupos tupis e guaranis que viviam em pequenas aldeias e formavam uma sociedade igualitária, já aproximadamente mil anos antes de os portugueses chegarem aqui, em 1500.

Entre esses grupos a propriedade era de todos. Praticavam o cultivo do milho e da abóbora, complementando a sua alimentação com a pesca, a caça e a coleta de frutos. Conheciam a cerâmica e também enterravam seus mortos em urnas. Esses grupos partiram do sul, numa longa migração para o norte e ocuparam quase todo o litoral brasileiro.

Em São Paulo há pinturas rupestres produzidas por grupos que viveram há aproximadamente 10 000 anos na região.

A arte rupestre é uma forma de comunicação por meio de desenhos e símbolos cujos significados reais das figuras, produzidas em outros períodos, são difíceis de serem interpretados.


Mapa dos antigos sítios arqueológicos do Brasil


 Mapa dos antigos sítios arqueológicos do Brasil

Mapa dos antigos sítios arqueológicos do Brasil



Em 2007, foram descobertos sete sítios arqueológicos de dois povos indígenas que viveram entre mil e dois mil anos atrás na zona rural de Olímpia, no interior de São Paulo. Mais de três mil peças das tribos tupi-guarani e uru foram resgatadas, como fragmentos de potes de barro e ferramentas de pedra lascada, especialmente lâminas de machado em pedra polida. Outras importantes peças resgatadas inteiras são as tembetás, uma espécie de adorno que os indígenas usavam espetado no queixo.

Após análise e catalogação, esses fósseis podem ajudar a reconstituir o patrimônio histórico-cultural do interior do estado de São Paulo, onde muitos sítios indígenas ainda estão por ser explorados.

A existência de sambaquis, montanhas de resíduos alimentares como restos de conchas (de ostras, de berbigão e de marisco) e resíduos de animais marinhos, ossos de peixes e de baleias deixados por grupos que viveram na região do litoral em tempos muito remotos, demonstra que muitos deles se tornavam sedentários.

O mais antigo sambaqui brasileiro foi encontrado no Vale da Ribeira, em São Paulo, e tem aproximadamente 9 000 anos de existência.

No Guarujá foram localizados sambaquis na praia do Mar Casado e de Pernambuco. Estudos indicam que os povos que habitaram os sambaquis eram bons canoeiros, uma vez que neles foram encontrados restos de tubarão, baleia, golfinhos, tartarugas e raias, alguns destes encontrados apenas em alto-mar. Em várias ilhas brasileiras existem sambaquis e, obviamente, elas só poderiam ter sido alcançadas com o uso de embarcações.

Além disso, estudos realizados nos esqueletos desses seres humanos mostram que os indivíduos tinham membros superiores mais desenvolvidos que os membros inferiores, como resultado de um uso e esforço centralizado, típico do remo.

Estes grupos também deixaram registros no campo da arte. Belíssimas peças de pedra, feitas com a técnica do polimento, foram encontradas nos sambaquis. Apresentam a forma de animais, como golfinhos, peixes, aves e antas, ou têm forma humana, como é o caso do famoso “Ídolo de Iguape”, proveniente de um sítio no sul de São Paulo, próximo ao Sambaqui do Morro Grande, no vale da Ribeira.

O centro da localidade de Iguape é tombado pelo patrimônio nacional desde 2009.

Os sambaquis predominam nas regiões costeiras que abrigam baías, restingas e ilhas, onde o alimento retirado do mar era farto. As conchas vazias se acumulavam no chão, formando camadas. Misturados com esses resíduos, podem ser encontrados objetos que eram usados pelas populações pré-históricas para bater, furar, serrar (machados, pontas de flechas). Com o passar dos anos, foram se formando verdadeiras montanhas de conchas, sobre as quais as pessoas construíam suas cabanas e dentro das quais enterravam seus mortos.


Sambaqui no sítio arqueológico Benedito Fortes em Iguape (SP).


 Sambaqui no sítio arqueológico Benedito Fortes em Iguape (SP).

Sambaqui no sítio arqueológico Benedito Fortes em Iguape (SP).





Glossário


Sítios arqueológicos: local onde foram encontrados vestígios deixados pelos seres humanos do passado. Pode ser um lugar de moradia, um cemitério ou, ainda, um abrigo improvisado utilizado para caçadas, entre outros.

Urnas: recipientes que contêm as cinzas dos mortos.







Conteúdo correspondente:

Juliana Francine Da Costa Silveira