Crescimento do estado de São Paulo no século XIX


A chegada do café no Brasil



Durante a segunda metade do século XIX, a sociedade brasileira passou por mudanças fundamentais. Iniciou-se a substituição do trabalho escravo pelo trabalho assalariado, as fazendas de café e outras lavouras brasileiras modernizaram-se, as cidades cresceram e nelas se instalaram as primeiras indústrias.

Durante o período de Império no Brasil (1822-1889), a economia manteve a estrutura agrícola, escravocrata e cíclica herdada do período colonial. O Brasil continuava como fornecedor dos chamados “artigos de sobremesa” (açúcar e cacau) e consumidor dos produtos industrializados importados da Europa. A grande diferença ocorreu com o produto a ser plantado. A produção de açúcar, que já estava em crise desde o século XVIII, foi sendo gradativamente substituída pela produção do café.

O café originário da Arábia foi introduzido em nosso país em 1727 por Francisco de Melo Palheta. As mudas foram trazidas da Guiana Francesa e as primeiras plantações foram feitas no Pará. Após algum tempo, as plantações se espalharam por outras regiões.

A princípio, beber café não fazia parte dos hábitos alimentares da população brasileira. Era muito comum ver o pé de café ser utilizado como planta ornamental nos jardins de algumas casas nas cidades.


Trabalhadores rurais em cafezal, 1945. Interior do estado de São Paulo.


 Trabalhadores rurais em cafezal, 1945. Interior do estado de São Paulo.

Trabalhadores rurais em cafezal, 1945. Interior do estado de São Paulo.



O declínio da mineração na região de Minas Gerais e a concorrência sofrida pelo açúcar brasileiro no mercado europeu apontavam para a região Sudeste do Brasil, de clima favorável e solo rico, como o melhor local para o desenvolvimento da produção cafeeira.

O aumento do consumo do produto, tanto na Europa como nos Estados Unidos, aliado aos ótimos preços que alcançava, fizeram com que o interesse pelo cultivo da planta crescesse no país. Inicialmente, as plantações localizavam-se no Vale do Paraíba, na Província do Rio de Janeiro. Não se tem notícia de como a primeira muda chegou ao Rio de Janeiro em 1776, pois esta planta não despertava, a princípio, nenhum interesse comercial nos fazendeiros, pois eles estavam preocupados apenas com a produção de cana-de-açúcar.

Entre os fatores que determinaram o desenvolvimento da produção cafeeira nesta região estava a grande quantidade de mão de obra disponível em razão do declínio da atividade mineradora, principalmente na província de Minas Gerais.

A partir de 1870, com o esgotamento das terras do Vale da Paraíba, o café foi, pouco a pouco, conquistando a região do oeste paulista.


O café no Rio de Janeiro e em São Paulo


 O café no Rio de Janeiro e em São Paulo

O café no Rio de Janeiro e em São Paulo



Em Ribeirão Preto, formou-se um importante núcleo produtor. A chamada terra roxa garantia uma ótima produtividade. No decorrer do século XIX, o café expandiu-se também para o sudeste de Minas Gerais e norte do Paraná.

Durante todo o Segundo Reinado (D. Pedro II), o café conservou-se como produto de maior importância das exportações brasileiras. A expansão cafeeira deu-se gradativamente, abrangendo muitas cidades e uma grande região do país.

Com o desenvolvimento do café, ocorreram diversos benefícios econômicos para cada região produtora.


Quadro da produção brasileira (em kg) – 1821 a 1870


1821-1830 ................ 190.680

1831-1840 ................ 625.800

1841-1850 .............. 1.102.020

1851-1860 .............. 1.640.340

1861-1870 .............. 1.746.180


Uma fazenda de café lembrava muito um engenho açucareiro do Nordeste. Havia o casarão, a senzala, a capela, algumas oficinas, a casa dos trabalhadores livres e a área de plantação de café. Inicialmente havia senzala nas fazendas de café, uma vez que a mão de obra continuou sendo a do escravo. Somente mais tarde, com a imigração de trabalhadores da Europa e com a abolição da escravidão em 1888, a mão de obra passou a ser assalariada.

A produção cafeeira trouxe grandes mudanças para o Brasil: surgiram novas cidades, vieram imigrantes de várias partes do mundo e abriram-se muitas estradas, principalmente estradas de ferro, utilizadas para escoar a produção para os portos brasileiros. Os chamados barões do café passaram a investir os grandes lucros da produção cafeeira em indústrias, comércio, bancos, companhias de seguros, entre outros.

As cidades que iam surgindo junto com as ferrovias passaram a crescer a partir das estações de trem, que passaram a ser, em muitos casos, o ponto de referência de toda a cidade. As cidades próximas das linhas férreas passaram a ter grande importância em comparação com outras que ficavam distantes delas.

No Brasil, as ferrovias predominaram até a Segunda Guerra Mundial, na década de 1940, sendo o trem o meio de transporte típico até este período. A rede ferroviária formava um traçado em direção aos portos, principalmente em virtude do caráter exportador de nossa economia.

A transformação da economia brasileira trouxe a decadência da rede ferroviária, prevalecendo, a partir de então, a opção rodoviária. Atualmente o Brasil possui mais de 2 milhões de quilômetros de rodovias contra menos de 40 mil quilômetros de ferrovias.


Os cafeicultores foram recebendo títulos de nobreza, por isso ficaram conhecidos como Barões do Café


 Os cafeicultores foram recebendo títulos de nobreza, por isso ficaram conhecidos como Barões do Café

Os cafeicultores foram recebendo títulos de nobreza, por isso ficaram conhecidos como Barões do Café, construindo lindas mansões principalmente na cidade de São Paulo e no Rio de Janeiro, capital do Império.









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