O Diário de Anne Frank


Quinta-feira, 29 de outubro de 1942


Querida Kitty


Estou preocupadíssima. Papai está doente. Está com febre alta e uma erupção vermelha que parece sarampo. Imagine você! Nem médico podemos chamar! Mamãe está lhe dando um bom suador. Talvez, depois disso, a temperatura baixe.

Esta manhã Miep contou que retiraram toda a mobília da casa dos Van Daan. Ela já anda que é uma pilha de nervos, e não estamos com a menor disposição de ouvir novos lamentos pela linda louça e as preciosas cadeiras que deixou em casa. Nós também tivemos que deixar coisas lindas. Mas de que adiantam queixas e lamentações agora?

Ultimamente tenho tido permissão para ler mais livros de gente grande. No momento, estou lendo Eva's youth, de Nico van Suchtelen. Não vejo grande diferença entre este livro e os romances água-com-açúcar para mocinhas. É verdade que há trechos sobre mulheres que se vendem a homens desconhecidos em ruas duvidosas. Cobram um dinheirão. Eu morreria de vergonha se me acontecesse uma coisa dessas. No livro também fala que Eva tem um período mensal. Estou doida para ter um também; parece ser tão importante!

Papai retirou da estante grande as obras de Goethe e Schiller. Vai ler todas as noites para mim. Começamos com Dom Carlos.

Seguindo o bom exemplo de papai, mamãe entregou-me seu livro de orações. Só por obrigação, li algumas em alemão. São lindas, mas não me dizem grande coisa. Por que me obriga a ser piedosa só para agradar-lhe?

Amanhã acenderemos a lareira pela primeira vez. Creio que a fumaça vai nos sufocar. Ninguém limpa aquela chaminé há anos. Esperemos que funcione.


Sua Anne.




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