O Diário de Anne Frank


Domingo, 13 de junho de 1943


Querida Kitty


O poema que papai escreveu para mim no dia de meu aniversário é bom demais para não mostrá-lo a você. Como Pim tem o hábito de escrever versos em alemão, Margot se ofereceu para traduzi-los. Julgue você mesma se ela não fez um trabalho de mestre. Depois do comentário usual dos acontecimentos do ano, o poema dizia assim:

"Embora caçula, já não és mais pequena,

E a vida é dura, quando todo mundo

Deseja te ensinar isto e aquilo:

Somos experientes, segue nossos conselhos!

Sabemos das coisas, pois há muito as fazemos.

Os velhos são sempre melhores, tem isso em mente.

Pelo menos esta tem sido a regra, desde o começo dos tempos!

Nossas faltas são pequenas demais;

Isso torna fácil criticar

As faltas dos outros, que são sempre o dobro das nossas.

Aceita, por favor, a nós, teus pais, que tentamos Julgar-te com justiça e bondade.

Recebe as correções, mesmo contra a vontade,

Como se engolisses uma pílula amarga,

Necessária para te dar a paz

Enquanto este tempo de sofrimento não passa.

Tu lês e estudas quase o dia inteiro.

Nunca te aborreces e alegras nossa vida.

Tua única queixa é: 'Que hei de vestir?

Não tenho calcinhas, as roupas estão pequenas,

Meu casaco está acima da cintura, que horror!

Para calçar sapatos, só cortando os dedões,

Oh, meu Deus, que sofrimento atroz! [7]'"

Havia também um trechinho sobre comida que Margot não conseguiu traduzir rimando, por isso deixei de lado. Não acha uma beleza meu poema de aniversário? Fui agradada de todas as maneiras e recebi uma porção de presentes lindos, entre os quais um livro grosso sobre meu assunto predileto: a mitologia da Grécia e de Roma. Também não posso me queixar da falta de doces — todos lançaram mão de suas últimas reservas. Como o benjamin da família escondida, estou sendo muito mais homenageada do que realmente mereço.


Sua Anne.




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