O Diário de Anne Frank


Quinta-feira, 27 de janeiro de 1944


Querida Kitty


Ultimamente passei a me interessar apaixonadamente pelas árvores genealógicas e linhagens das famílias reais, e cheguei à conclusão de que, uma vez começando, você vai se aprofundando no passado e não pára de descobrir coisas novas e interessantes.

Apesar de me aplicar seriamente nos estudos, o que me permite seguir facilmente o inglês do rádio, ainda passo domingos inteiros a classificar e contemplar minha enorme coleção de artistas de cinema, que já atingiu um senhor tamanho!

Fico feliz da vida quando, às segundas-feiras, o sr. Kraler traz Cinema e Teatro. Embora este pequeno presente seja qualificado de desperdício de dinheiro pelos menos fúteis membros da família, eles não deixam de se admirar ao ver a exatidão absoluta com que declaro quem trabalhou em tal filme, mesmo depois de um ano. Elli, que sempre vai ao cinema com o namorado, em seus dias de folga, me conta os títulos dos filmes novos, toda semana. E eu sou capaz de dizer, sem pensar duas vezes, os nomes dos artistas e o que diz a crítica.

Ainda há pouco tempo, Mum disse que ao sair daqui eu nem vou precisar ir ao cinema, pois sei de cor enredos, artistas e a opinião da crítica.

Quando apareço, toda prosa, com algum penteado novo, logo a turma toda se põe a olhar com ares desaprovadores e não tarda a perguntar qual a fascinante estrela de cinema que estou tentando imitar. Nunca me acreditam se afirmo que é pura invenção minha.

Falando sobre penteado, não consigo ficar com ele mais de meia hora, tanto eles me irritam com suas críticas e piadinhas. Corro ao banheiro e de lá volto com o penteado de menina bem-comportada, isto é, o penteado comum, de todos os dias.


Sua Anne.




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