O Diário de Anne Frank


Terça-feira, 18 de abril de 1944


Querida Kitty


Tudo em ordem por aqui. Papai acaba de dizer que espera que antes de 20 de maio se realizem operações de grande envergadura, tanto na Rússia, como na Itália e no oeste. Cada vez fica mais difícil para mim imaginar a libertação.

Ontem, Peter e eu tivemos aquela conversa que já vinha sendo adiada, pelo menos há dez dias. Expliquei tudo a ele a respeito de meninas e não hesitei em discutir mesmo as coisas mais íntimas. Aquela noite acabou com cada um de nós dando um beijo no outro, bem ao lado da boca; a sensação é realmente deliciosa.

Talvez leve meu diário lá para cima, qualquer dia, para me aprofundar mais nas coisas, ao menos uma vez. Não me satisfaz plenamente isso de ficarmos apenas um nos braços do outro, e gostaria de saber se ele também pensa como eu.

Estamos tendo uma primavera gloriosa, depois daquele longo inverno que parecia não ter mais fim. Abril apareceu radioso, nem quente nem frio, com alguma chuva de vez em quando. Nosso castanheiro já está cheio de folhinhas verdes; pode-se ver mesmo, aqui e ali, algumas florezinhas.

Elli nos alegrou, no sábado, trazendo quatro buquês de flores, três de narcisos e um de jacintos, este último para mim.

Kitty, preciso estudar álgebra. Adeus.


Sua Anne.




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