O Diário de Anne Frank


Terça-feira, 16 de maio de 1944


Querida Kitty


Só para variar, já que há tanto tempo não falo neles, vou lhe contar uma discussão que ocorreu ontem entre o casal Van Daan:

Sra. Van Daan: Os alemães fortaleceram estupidamente a muralha do Atlântico e estão fazendo de tudo para conter os ingleses. É incrível a força alemã!

Sr. Van Daan: É, sim, é incrível.

Sra. Van Daan: É... s... sim.

Sr. Van Daan: São tão fortes, que no final de tudo são bem capazes de ganhar a guerra!

Sra. Van Daan: É possível, sim. Não estou ainda convencida do contrário.

Sr. Van Daan: Não me darei ao trabalho de responder.

Sra. Van Daan: É, mas continuará respondendo. Não resiste, adora retrucar a tudo o que digo.

Sr. Van Daan: Não é verdade. Respondo apenas o mínimo necessário.

Sra. Van Daan: Mas, mesmo assim, responde, além de querer estar sempre com a razão. Suas profecias não se realizam nem de longe.

Sr. Van Daan: Até agora, têm-se realizado.

Sra. Van Daan: Pois sim. Ia haver invasão o ano passado, e os finlandeses iam estar fora da guerra. A Itália ia ser liquidada no inverno, e os russos já estariam em Lemberg; oh, não, suas profecias não são lá essas coisas!

Sr. Van Daan, levantando-se: Por que não cala essa boca? Um dia mostrarei quem está com a razão. Já não agüento mais sua conversa irritante. Você é de exasperar qualquer um, mas ainda há de engolir suas próprias palavras!

Fim do primeiro ato.

Não consegui conter o riso. Mamãe também não agüentou e riu, enquanto Peter mordia os lábios. Oh, como são idiotas os mais velhos! Melhor fariam se pensassem um pouco antes de abrir a boca diante da nova geração!


Sua Anne.




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