Augusto dos Anjos - 002 - Agonia de um filósofo





Augusto dos Anjos - 002 - Agonia de um filósofo


Consulto o Phtah-Hotep. Leio o obsoleto

Rig-Veda. E, ante obras tais, me não consolo...

O Inconsciente me assombra e eu nele rolo

Com a eólica fúria do harmatã inquieto!


Assisto agora à morte de um inseto...!

Ah! todos os fenômenos do solo

Parecem realizar de pólo a pólo

O ideal de Anaximandro de Mileto!


No hierático areópago* heterogêneo

Das idéias, percorro como um gênio

Desde a alma de Haeckel à alma cenobial!...


Rasgo dos mundos o velário espesso;

E em tudo, igual a Goethe, reconheço

O império da substância universal!


Augusto dos ANJOS (1884 - 1914) - Eu e Outras Poesias.


Augusto dos Anjos é um dos mais originais poetas brasileiros, e também um dos mais populares. Sua obra consiste, porém, em apenas um livro. Eu foi publicado ainda em vida do autor; outros poemas, publicados em periódicos ou inéditos, foram coligidos após sua morte e acrescentados ao volume organizado pelo autor, renomeado então Eu e Outras Poesias . Aclamada pelo público e pela crítica, sua obra foi repudiada por muitos em sua época, e ainda causa estranheza, pela mistura de vocabulário coloquial e científico, pelos temas exacerbadamente macabros e pessimistas, pelo exagero sistemáticos na linguagem e no tratamento dos temas. Não obstante as controvérsias que cercam sua obra, muitos de seus versos caíram no uso popular, tais como um urubu pousou em minha sorte , a mão que afaga é a mesma que apedreja e outros.




 Augusto dos Anjos - 002 - Agonia de um filósofo

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