Augusto dos Anjos - 016 - Mater originalis





Augusto dos Anjos - 016 - Mater originalis


Forma vermicular desconhecida

Que estacionaste, mísera e mofina,

Como quase impalpável gelatina,

Nos estados prodrômicos da vida;


O hierofante que leu a minha sina

Ignorante é de que és, talvez, nascida

Dessa homogeneidade indefinida

Que o insigne Herbert Spencer nos ensina.


Nenhuma ignota união ou nenhum nexo

À contingência orgânica do sexo

A tua estacionária alma prendeu...


Ah! de ti foi que, autônoma e sem normas,

Oh! Mãe original das outras formas,

A minha forma lúgubre nasceu!


Augusto dos ANJOS (1884 - 1914) - Eu e Outras Poesias.


Augusto dos Anjos é um dos mais originais poetas brasileiros, e também um dos mais populares. Sua obra consiste, porém, em apenas um livro. Eu foi publicado ainda em vida do autor; outros poemas, publicados em periódicos ou inéditos, foram coligidos após sua morte e acrescentados ao volume organizado pelo autor, renomeado então Eu e Outras Poesias . Aclamada pelo público e pela crítica, sua obra foi repudiada por muitos em sua época, e ainda causa estranheza, pela mistura de vocabulário coloquial e científico, pelos temas exacerbadamente macabros e pessimistas, pelo exagero sistemáticos na linguagem e no tratamento dos temas. Não obstante as controvérsias que cercam sua obra, muitos de seus versos caíram no uso popular, tais como um urubu pousou em minha sorte , a mão que afaga é a mesma que apedreja e outros.




 Augusto dos Anjos - 016 - Mater originalis

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