Augusto dos Anjos - 066 - A floresta





Augusto dos Anjos - 066 - A floresta


Em vão com o mundo da floresta privas!

-- Todas as hermenêuticas sondagens,

Ante o hieroglifo e o enigma das folhagens,

São absolutamente negativas!


Araucárias, traçando arcos de ogivas,

Bracejamentos de álamos selvagens,

Como um convite para estranhas viagens,

Tornam todas as almas pensativas!


Há uma força vencida nesse mundo!

Todo o organismo florestal profundo

É dor viva, trancada num disfarce...


Vivem só, nele, os elementos broncos,

-- As ambições que se fizeram troncos,

Porque nunca puderam realizar-se!


Augusto dos ANJOS (1884 - 1914) - Eu e Outras Poesias.


Augusto dos Anjos é um dos mais originais poetas brasileiros, e também um dos mais populares. Sua obra consiste, porém, em apenas um livro. Eu foi publicado ainda em vida do autor; outros poemas, publicados em periódicos ou inéditos, foram coligidos após sua morte e acrescentados ao volume organizado pelo autor, renomeado então Eu e Outras Poesias . Aclamada pelo público e pela crítica, sua obra foi repudiada por muitos em sua época, e ainda causa estranheza, pela mistura de vocabulário coloquial e científico, pelos temas exacerbadamente macabros e pessimistas, pelo exagero sistemáticos na linguagem e no tratamento dos temas. Não obstante as controvérsias que cercam sua obra, muitos de seus versos caíram no uso popular, tais como um urubu pousou em minha sorte , a mão que afaga é a mesma que apedreja e outros.




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