Augusto dos Anjos - 077 - Minha finalidade





Augusto dos Anjos - 077 - Minha finalidade


Turbilhão teleolófico incoercível,

Que força alguma inibitória acalma,

Levou-me o crânio e pôs-lhe dentro a palma

Dos que amam apreender o Inapreensível!


Predeterminação imprescriptivel

Oriunda da infra-astral Substância calma

Plasmou, aparelhou, talhou minha alma

Para cantar de preferência o Horrível!


Na canonização emocionante,

Da dor humana, sou maior que Dante,

-- A águia dos latifúndios florentinos!


Sistematizo, suluçando, o Inferno...

E trago em mim, num sincronismo eterno

A fórmula de todos os destinos!


Augusto dos ANJOS (1884 - 1914) - Eu e Outras Poesias.


Augusto dos Anjos é um dos mais originais poetas brasileiros, e também um dos mais populares. Sua obra consiste, porém, em apenas um livro. Eu foi publicado ainda em vida do autor; outros poemas, publicados em periódicos ou inéditos, foram coligidos após sua morte e acrescentados ao volume organizado pelo autor, renomeado então Eu e Outras Poesias . Aclamada pelo público e pela crítica, sua obra foi repudiada por muitos em sua época, e ainda causa estranheza, pela mistura de vocabulário coloquial e científico, pelos temas exacerbadamente macabros e pessimistas, pelo exagero sistemáticos na linguagem e no tratamento dos temas. Não obstante as controvérsias que cercam sua obra, muitos de seus versos caíram no uso popular, tais como um urubu pousou em minha sorte , a mão que afaga é a mesma que apedreja e outros.




 Augusto dos Anjos - 077 - Minha finalidade

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