Augusto dos Anjos - 079 - Noli me tangere





Augusto dos Anjos - 079 - Noli me tangere


A exaltação emocional do Gozo,

O Amor, a Glória, a Ciência, a Arte e a Beleza

Servem de combustíveis à ira acesa

Das tempestades do meu ser nervoso!


Eu sou, por conseqüência, um ser monstruoso!

Em minha arca encefálica indefesa

Choram as forças más da Natureza

Sem possibilidades de repouso!


Agregados anômalos malditos

Despedaçam-se, mordem-se, dão gritos

Nas minhas camas cerebrais funéreas...


Ai! Não toqueis em minhas faces verdes,

Sob pena, homens felizes, de sofrerdes

A sensação de todas as misérias!


Augusto dos ANJOS (1884 - 1914) - Eu e Outras Poesias.


Augusto dos Anjos é um dos mais originais poetas brasileiros, e também um dos mais populares. Sua obra consiste, porém, em apenas um livro. Eu foi publicado ainda em vida do autor; outros poemas, publicados em periódicos ou inéditos, foram coligidos após sua morte e acrescentados ao volume organizado pelo autor, renomeado então Eu e Outras Poesias . Aclamada pelo público e pela crítica, sua obra foi repudiada por muitos em sua época, e ainda causa estranheza, pela mistura de vocabulário coloquial e científico, pelos temas exacerbadamente macabros e pessimistas, pelo exagero sistemáticos na linguagem e no tratamento dos temas. Não obstante as controvérsias que cercam sua obra, muitos de seus versos caíram no uso popular, tais como um urubu pousou em minha sorte , a mão que afaga é a mesma que apedreja e outros.




 Augusto dos Anjos - 079 - Noli me tangere

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