Augusto dos Anjos - 085 - Canto de onipotência





Augusto dos Anjos - 085 - Canto de onipotência


Cloto, Átropos, Tífon, Laquesis, Siva...

E acima deles, como um astro, a arder,

Na hiperculminação definitiva

O meu supremo e estraordinário Ser!


Em minha sobre-humana retentiva

Brilhavam, como a luz do amanhecer,

A perfeição virtual tornada viva

E o embrião do que podia acontecer!


Por antecipação divinatória,

Eu, projetado muito além da História,

Sentia dos fenômenos o fim...


A coisa em si movia-se aos meus brados

E os acontecimentos subjugados

Olhavam como escravos para mim!


Augusto dos ANJOS (1884 - 1914) - Eu e Outras Poesias.


Augusto dos Anjos é um dos mais originais poetas brasileiros, e também um dos mais populares. Sua obra consiste, porém, em apenas um livro. Eu foi publicado ainda em vida do autor; outros poemas, publicados em periódicos ou inéditos, foram coligidos após sua morte e acrescentados ao volume organizado pelo autor, renomeado então Eu e Outras Poesias . Aclamada pelo público e pela crítica, sua obra foi repudiada por muitos em sua época, e ainda causa estranheza, pela mistura de vocabulário coloquial e científico, pelos temas exacerbadamente macabros e pessimistas, pelo exagero sistemáticos na linguagem e no tratamento dos temas. Não obstante as controvérsias que cercam sua obra, muitos de seus versos caíram no uso popular, tais como um urubu pousou em minha sorte , a mão que afaga é a mesma que apedreja e outros.




 Augusto dos Anjos - 085 - Canto de onipotência

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