Augusto dos Anjos - 108 - Noivado





Augusto dos Anjos - 108 - Noivado


Os namorados ternos suspiravam,

Quando há de ser o venturoso dia?!

Quando há de ser?! O noivo então dizia

E a noiva e ambos d’amores s’embriagavam.


E a mesma frase o noivo repetia;

Fora no campo pássaros trinavam.

Quando há de ser?! E os pássaros falavam,

Há de chegar, a brisa respondia.


Vinha rompendo a aurora majestosa,

Dos rouxinóis ao sonoroso arpejo

E a luz do sol vibrava esplendorosa.


Chegara enfim o dia desejado,

Ambos unidos, soluçara um beijo,

Era o supremo beijo de noivado!


Augusto dos ANJOS (1884 - 1914) - Eu e Outras Poesias.


Augusto dos Anjos é um dos mais originais poetas brasileiros, e também um dos mais populares. Sua obra consiste, porém, em apenas um livro. Eu foi publicado ainda em vida do autor; outros poemas, publicados em periódicos ou inéditos, foram coligidos após sua morte e acrescentados ao volume organizado pelo autor, renomeado então Eu e Outras Poesias . Aclamada pelo público e pela crítica, sua obra foi repudiada por muitos em sua época, e ainda causa estranheza, pela mistura de vocabulário coloquial e científico, pelos temas exacerbadamente macabros e pessimistas, pelo exagero sistemáticos na linguagem e no tratamento dos temas. Não obstante as controvérsias que cercam sua obra, muitos de seus versos caíram no uso popular, tais como um urubu pousou em minha sorte , a mão que afaga é a mesma que apedreja e outros.




 Augusto dos Anjos - 108 - Noivado

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