Augusto dos Anjos - 110 - Triste regresso





Augusto dos Anjos - 110 - Triste regresso


A Dias Paredes


Uma vez um poeta, um tresloucado,

Apaixonou-se d’uma virgem bela;

Vivia alegre o vate apaixonado,

Louco vivia, enamorado dela.


Mas a Pátria chamou-o. Era soldado.

E tinha que deixar pra sempre aquela

Meiga visão, olímpica e singela?!

E partiu, coração amargurado.


Dos canhões ao ribombo, e das metralhas,

Altivo lutador, venceu batalhas,

Juncou-lhe a fronte aurifulgente estrela.


E voltou, mas a fronte aureolada,

Ao chegar, pendeu triste e desmaiada,

No sepulcro da loura virgem bela.


Augusto dos ANJOS (1884 - 1914) - Eu e Outras Poesias.


Augusto dos Anjos é um dos mais originais poetas brasileiros, e também um dos mais populares. Sua obra consiste, porém, em apenas um livro. Eu foi publicado ainda em vida do autor; outros poemas, publicados em periódicos ou inéditos, foram coligidos após sua morte e acrescentados ao volume organizado pelo autor, renomeado então Eu e Outras Poesias . Aclamada pelo público e pela crítica, sua obra foi repudiada por muitos em sua época, e ainda causa estranheza, pela mistura de vocabulário coloquial e científico, pelos temas exacerbadamente macabros e pessimistas, pelo exagero sistemáticos na linguagem e no tratamento dos temas. Não obstante as controvérsias que cercam sua obra, muitos de seus versos caíram no uso popular, tais como um urubu pousou em minha sorte , a mão que afaga é a mesma que apedreja e outros.




 Augusto dos Anjos - 110 - Triste regresso

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