Augusto dos Anjos - 111 - Amor e religião





Augusto dos Anjos - 111 - Amor e religião


Conheci-o: era um padre, um desses santos

Sacerdotes da Fé de crença pura,

Da sua fala na eternal doçura

Falava o coração. Quantos, oh! Quantos


Ouviram dele frases de candura

Que d’infelizes enxugavam prantos!

E como alegres não ficaram tantos

Corações sem prazer e sem ventura.


No entanto dizem que este padre amara.

Morrera um dia desvairado, estulto,

Su’alma livre para o céu se alara.


E Deus lhe disse: “És duas vezes santo,

Pois se da Religião fizeste culto,

Foste do amor o mártir sacrossanto”.


Augusto dos ANJOS (1884 - 1914) - Eu e Outras Poesias.


Augusto dos Anjos é um dos mais originais poetas brasileiros, e também um dos mais populares. Sua obra consiste, porém, em apenas um livro. Eu foi publicado ainda em vida do autor; outros poemas, publicados em periódicos ou inéditos, foram coligidos após sua morte e acrescentados ao volume organizado pelo autor, renomeado então Eu e Outras Poesias . Aclamada pelo público e pela crítica, sua obra foi repudiada por muitos em sua época, e ainda causa estranheza, pela mistura de vocabulário coloquial e científico, pelos temas exacerbadamente macabros e pessimistas, pelo exagero sistemáticos na linguagem e no tratamento dos temas. Não obstante as controvérsias que cercam sua obra, muitos de seus versos caíram no uso popular, tais como um urubu pousou em minha sorte , a mão que afaga é a mesma que apedreja e outros.




 Augusto dos Anjos - 111 - Amor e religião

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