Augusto dos Anjos - 112 - Soneto





Augusto dos Anjos - 112 - Soneto


Ao meu prezado irmão Alexandre Júnior

pelas nove primaveras que hoje completou.


Canta no espaço a passarada e canta

Dentro do peito o coração contente,

Tu’alma ri-se descuidosamente,

Minh’alma alegre no teu rir s’encanta.


Irmão querido, bom Pap[a, consente

Que neste dia de ventura tanta

Vá, num abraço de ternura santa,

Mostrar-te o afeto que meu peito sente.


Somente assim festejarei teus anos;

Enquanto outros podem, dão-te enganos,

Jóias, bonecos de formoso busto,


Eu só encontro no primor da rima

A justa oferta, a jóia que te exprima

O amor fraterno do teu mano.


Augusto dos ANJOS (1884 - 1914) - Eu e Outras Poesias.


Augusto dos Anjos é um dos mais originais poetas brasileiros, e também um dos mais populares. Sua obra consiste, porém, em apenas um livro. Eu foi publicado ainda em vida do autor; outros poemas, publicados em periódicos ou inéditos, foram coligidos após sua morte e acrescentados ao volume organizado pelo autor, renomeado então Eu e Outras Poesias . Aclamada pelo público e pela crítica, sua obra foi repudiada por muitos em sua época, e ainda causa estranheza, pela mistura de vocabulário coloquial e científico, pelos temas exacerbadamente macabros e pessimistas, pelo exagero sistemáticos na linguagem e no tratamento dos temas. Não obstante as controvérsias que cercam sua obra, muitos de seus versos caíram no uso popular, tais como um urubu pousou em minha sorte , a mão que afaga é a mesma que apedreja e outros.




 Augusto dos Anjos - 112 - Soneto

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