Augusto dos Anjos - 118 - Soneto





Augusto dos Anjos - 118 - Soneto


Canta teu riso esplêndido sonata,

E há, no teu riso de anjos encantados,

Como que um doce tilintar de prata

E a vibração de mil cristais quebrados.


Bendito o riso assim que se desata

-- Cítara suave dos apaixonados,

Sonorizando os sonhos já passados,

Cantando sempre em trínula volata!


Aurora ideal dos dias meus risonhos,

Quando, úmido de beijos em ressábios

Teu riso esponta, despertando sonhos...


Ah! Num delíquio de ventura louca,

Vai-se minh’alma toda nos teus beijos,

Ri-se o meu coração na tua boca!


Augusto dos ANJOS (1884 - 1914) - Eu e Outras Poesias.


Augusto dos Anjos é um dos mais originais poetas brasileiros, e também um dos mais populares. Sua obra consiste, porém, em apenas um livro. Eu foi publicado ainda em vida do autor; outros poemas, publicados em periódicos ou inéditos, foram coligidos após sua morte e acrescentados ao volume organizado pelo autor, renomeado então Eu e Outras Poesias . Aclamada pelo público e pela crítica, sua obra foi repudiada por muitos em sua época, e ainda causa estranheza, pela mistura de vocabulário coloquial e científico, pelos temas exacerbadamente macabros e pessimistas, pelo exagero sistemáticos na linguagem e no tratamento dos temas. Não obstante as controvérsias que cercam sua obra, muitos de seus versos caíram no uso popular, tais como um urubu pousou em minha sorte , a mão que afaga é a mesma que apedreja e outros.




 Augusto dos Anjos - 118 - Soneto

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