Augusto dos Anjos - 122 - Súplica num túmulo





Augusto dos Anjos - 122 - Súplica num túmulo


Maria, eis-me a tues pés. Eu venho arrependido,

Implorar-te o perdão do imenso crime meu!

Eis-me, pois, a teus pés, perdoa o teu vencido,

Açucena de Deus, lírio morto do Céu!


Perdão! E a minha voz estertora um gemido,

E o lábio meu para sempre apartado do tue

Não há de beijar mais o teu lábio querido!

Ah! Quando tu morreste, o meu Sonho morreu!


Perdão, pátria da Aurora exilada do Sonho!

-- Irei agora, assim, pelo mundo, para onde

Me levar o Destino abatido e tristonho...


Perdão! E este silêncio e esta tumba que cala!

Insânia, insânia, insânia, ah! ninguém me responde...

Perdão! E este sepulcro imenso que não fala!


Augusto dos ANJOS (1884 - 1914) - Eu e Outras Poesias.


Augusto dos Anjos é um dos mais originais poetas brasileiros, e também um dos mais populares. Sua obra consiste, porém, em apenas um livro. Eu foi publicado ainda em vida do autor; outros poemas, publicados em periódicos ou inéditos, foram coligidos após sua morte e acrescentados ao volume organizado pelo autor, renomeado então Eu e Outras Poesias . Aclamada pelo público e pela crítica, sua obra foi repudiada por muitos em sua época, e ainda causa estranheza, pela mistura de vocabulário coloquial e científico, pelos temas exacerbadamente macabros e pessimistas, pelo exagero sistemáticos na linguagem e no tratamento dos temas. Não obstante as controvérsias que cercam sua obra, muitos de seus versos caíram no uso popular, tais como um urubu pousou em minha sorte , a mão que afaga é a mesma que apedreja e outros.




 Augusto dos Anjos - 122 - Súplica num túmulo

Conteúdo correspondente: