Augusto dos Anjos - 125 - Régio





Augusto dos Anjos - 125 - Régio


Festa no paço! Noite... E no entretanto

Luzes, flores, clarões por toda a festa

E há nos régios salões, em cada aresta,

Credências d’ouro de supremo encanto.


No baldaquino a orquestra real se apresta

E o áureo dossel finge um relevo santo...

-- Bissos egípcios d’alto gosto, a um canto,

Flordilisados de nelumbo e giesta.


Morreu a noite e veio o Sol Eterno

-- Âmbar de sangue que desceu do Inferno

No turbilhão dos alvos raios diurnos...


Brilham no paço refulgências de elmo

E a princesa assomou como um santelmo

Na realeza branca dos coturnos.


Augusto dos ANJOS (1884 - 1914) - Eu e Outras Poesias.


Augusto dos Anjos é um dos mais originais poetas brasileiros, e também um dos mais populares. Sua obra consiste, porém, em apenas um livro. Eu foi publicado ainda em vida do autor; outros poemas, publicados em periódicos ou inéditos, foram coligidos após sua morte e acrescentados ao volume organizado pelo autor, renomeado então Eu e Outras Poesias . Aclamada pelo público e pela crítica, sua obra foi repudiada por muitos em sua época, e ainda causa estranheza, pela mistura de vocabulário coloquial e científico, pelos temas exacerbadamente macabros e pessimistas, pelo exagero sistemáticos na linguagem e no tratamento dos temas. Não obstante as controvérsias que cercam sua obra, muitos de seus versos caíram no uso popular, tais como um urubu pousou em minha sorte , a mão que afaga é a mesma que apedreja e outros.




 Augusto dos Anjos - 125 - Régio

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