Augusto dos Anjos - 129 - Soneto





Augusto dos Anjos - 129 - Soneto


(Feito no decurso de dois minutos, em homenagem ao aniversário natalício de Alexandre Rodrigues dos Anjos -- 28 de abril de 1905.)


Para quem tem na vida compreendido

Toda a grandeza da Fraternidade

O aniversário dum irmão querido

A alma de alegres emoções invade.


Depois quando no irmão estremecido

Fazem aliança o gênio e a probidade,

Atinge o amor um grau nunca atingido

No termômetro santo da Amizade.


O Alexandre dos Anjos merecia

Grandes coroas nesse grande dia,

Tesouros reais, auríferos tesouros...


Terá no entanto indubitavelmente

A admiração do século presente

E a sagração dos séculos vindouros!


Augusto dos ANJOS (1884 - 1914) - Eu e Outras Poesias.


Augusto dos Anjos é um dos mais originais poetas brasileiros, e também um dos mais populares. Sua obra consiste, porém, em apenas um livro. Eu foi publicado ainda em vida do autor; outros poemas, publicados em periódicos ou inéditos, foram coligidos após sua morte e acrescentados ao volume organizado pelo autor, renomeado então Eu e Outras Poesias . Aclamada pelo público e pela crítica, sua obra foi repudiada por muitos em sua época, e ainda causa estranheza, pela mistura de vocabulário coloquial e científico, pelos temas exacerbadamente macabros e pessimistas, pelo exagero sistemáticos na linguagem e no tratamento dos temas. Não obstante as controvérsias que cercam sua obra, muitos de seus versos caíram no uso popular, tais como um urubu pousou em minha sorte , a mão que afaga é a mesma que apedreja e outros.




 Augusto dos Anjos - 129 - Soneto

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