Augusto dos Anjos - 130 - O negro





Augusto dos Anjos - 130 - O negro


Oh! Negro, oh! Filho da Hotentóia ufana

Teus braços brônzeos como dois escudos,

São dois colossos, dois gigantes mudos,

Representando a integridade humana!


Nesses braços de força soberana

Gloriosamente à luz do sol desnudos

Ao bruto encontro dos ferrões agudos

Gemeu por muito tempo a alma africana!


No colorido dos teus brônzeos braços,

Fulge o fogo mordente dos mormaços

E a chama fulge do solar brasido...


E eu cuido ver os múltiplos produtos

Da Terra -- as flores e os metais e os frutos

Simbolizados nesse colorido!


Augusto dos ANJOS (1884 - 1914) - Eu e Outras Poesias.


Augusto dos Anjos é um dos mais originais poetas brasileiros, e também um dos mais populares. Sua obra consiste, porém, em apenas um livro. Eu foi publicado ainda em vida do autor; outros poemas, publicados em periódicos ou inéditos, foram coligidos após sua morte e acrescentados ao volume organizado pelo autor, renomeado então Eu e Outras Poesias . Aclamada pelo público e pela crítica, sua obra foi repudiada por muitos em sua época, e ainda causa estranheza, pela mistura de vocabulário coloquial e científico, pelos temas exacerbadamente macabros e pessimistas, pelo exagero sistemáticos na linguagem e no tratamento dos temas. Não obstante as controvérsias que cercam sua obra, muitos de seus versos caíram no uso popular, tais como um urubu pousou em minha sorte , a mão que afaga é a mesma que apedreja e outros.




 Augusto dos Anjos - 130 - O negro

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