Augusto dos Anjos - 132 - André Chénier





Augusto dos Anjos - 132 - André Chénier


Na real magnificência dos gigantes

Grave como um lacedemônio harmoste

André Chénier ia subir ao poste

A que Luís XVI subira dantes!


Que a sua morte a homem nenhum desgoste

E incite o heroísmo das nações distantes!...

Por isso, ele, a morrer, canta vibrantes

Versos divinos que arrebatam a hoste.


Não há quem nele um só tremor denote!

-- Continua a cantar, a alma serena...

Mas, de repente, pressentindo a lousa,


Batendo com a cabeça no barrote

Da guilhotina, diz ao povo: -- “É pena!

-- Aqui ainda havia alguma cousa...”


Augusto dos ANJOS (1884 - 1914) - Eu e Outras Poesias.


Augusto dos Anjos é um dos mais originais poetas brasileiros, e também um dos mais populares. Sua obra consiste, porém, em apenas um livro. Eu foi publicado ainda em vida do autor; outros poemas, publicados em periódicos ou inéditos, foram coligidos após sua morte e acrescentados ao volume organizado pelo autor, renomeado então Eu e Outras Poesias . Aclamada pelo público e pela crítica, sua obra foi repudiada por muitos em sua época, e ainda causa estranheza, pela mistura de vocabulário coloquial e científico, pelos temas exacerbadamente macabros e pessimistas, pelo exagero sistemáticos na linguagem e no tratamento dos temas. Não obstante as controvérsias que cercam sua obra, muitos de seus versos caíram no uso popular, tais como um urubu pousou em minha sorte , a mão que afaga é a mesma que apedreja e outros.




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