Augusto dos Anjos - 133 - Mystica visio





Augusto dos Anjos - 133 - Mystica visio


Vinha passando pelo meu caminho

Um vulto estranhamente iluminado...

Para onde eu ia, o vulto ia a meu lado

E desde então, não andei mais sozinho!


Abraçou-me, beijou-me com um carinho

Que a um ser divino não seria dado...

E eu me elevava, sendo assim beijado

Muito acima do humano burburinho!


Falou-me de ilusões e de luares,

Da tribo alegre que povoa os ares...

-- Assombrava-me aquela claridade!


Mas através daquelas falsas luzes

Pude rever enfim todas as cruzes

Que têm pesado sobre a Humanidade!


Augusto dos ANJOS (1884 - 1914) - Eu e Outras Poesias.


Augusto dos Anjos é um dos mais originais poetas brasileiros, e também um dos mais populares. Sua obra consiste, porém, em apenas um livro. Eu foi publicado ainda em vida do autor; outros poemas, publicados em periódicos ou inéditos, foram coligidos após sua morte e acrescentados ao volume organizado pelo autor, renomeado então Eu e Outras Poesias . Aclamada pelo público e pela crítica, sua obra foi repudiada por muitos em sua época, e ainda causa estranheza, pela mistura de vocabulário coloquial e científico, pelos temas exacerbadamente macabros e pessimistas, pelo exagero sistemáticos na linguagem e no tratamento dos temas. Não obstante as controvérsias que cercam sua obra, muitos de seus versos caíram no uso popular, tais como um urubu pousou em minha sorte , a mão que afaga é a mesma que apedreja e outros.




 Augusto dos Anjos - 133 - Mystica visio

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