Augusto dos Anjos - 141 - A caridade





Augusto dos Anjos - 141 - A caridade


No universo a caridade

Em contraste ao vício infando

É como um astro brilhando

Sobre a dor da humanidade!

Nos mais sombrios horrores

Por entre a mágoa nefasta

A caridade se arrasta

Toda coberta de flores!


Semeadora de carinhos

Ela abre todas as portas

E no horror das horas mortas

Vem beijar os pobrezinhos.


Torna as tormentas mais calmas

Ouve o soluço do mundo

E dentro do amor profundo

Abrange todas as almas.


O céu de estrelas se veste

Em fluidos de misticismo

Vibra no nosso organismo

Um sentimento celeste.


A alegria mais acesa

Nossas cabeças invade...

Glória, pois, à Caridade

No seio da Natureza!


Estribilho


Cantemos todos os anos

Na festa da Caridade

A solidariedade

Dos sentimentos humanos.


Augusto dos ANJOS (1884 - 1914) - Eu e Outras Poesias.


Augusto dos Anjos é um dos mais originais poetas brasileiros, e também um dos mais populares. Sua obra consiste, porém, em apenas um livro. Eu foi publicado ainda em vida do autor; outros poemas, publicados em periódicos ou inéditos, foram coligidos após sua morte e acrescentados ao volume organizado pelo autor, renomeado então Eu e Outras Poesias . Aclamada pelo público e pela crítica, sua obra foi repudiada por muitos em sua época, e ainda causa estranheza, pela mistura de vocabulário coloquial e científico, pelos temas exacerbadamente macabros e pessimistas, pelo exagero sistemáticos na linguagem e no tratamento dos temas. Não obstante as controvérsias que cercam sua obra, muitos de seus versos caíram no uso popular, tais como um urubu pousou em minha sorte , a mão que afaga é a mesma que apedreja e outros.




 Augusto dos Anjos - 141 - A caridade

Conteúdo correspondente: