Augusto dos Anjos - 147 - No claustro





Augusto dos Anjos - 147 - No claustro


Pelas do claustro salas silenciosas,

De lutulentas, úmidas arcadas,

Na vastidão silente das caladas

Abóbadas sombrias tenebrosas,


Vagueiam tristemente desfiladas

De freiras e de monjas tristurosas,

Que guardam cinzas de ilusões passadas,

Que guardam pet’las de funéreas rosas.


E à noute quando rezam na clausura,

No sigilo das rezas misteriosas,

Nem a sombra mais leve de ventura!


Só as arcadas ogivais desnudas,

E as mesmas monjas sempre tristurosas,

E as mesmas portas impassíveis, mudas!


Augusto dos ANJOS (1884 - 1914) - Eu e Outras Poesias.


Augusto dos Anjos é um dos mais originais poetas brasileiros, e também um dos mais populares. Sua obra consiste, porém, em apenas um livro. Eu foi publicado ainda em vida do autor; outros poemas, publicados em periódicos ou inéditos, foram coligidos após sua morte e acrescentados ao volume organizado pelo autor, renomeado então Eu e Outras Poesias . Aclamada pelo público e pela crítica, sua obra foi repudiada por muitos em sua época, e ainda causa estranheza, pela mistura de vocabulário coloquial e científico, pelos temas exacerbadamente macabros e pessimistas, pelo exagero sistemáticos na linguagem e no tratamento dos temas. Não obstante as controvérsias que cercam sua obra, muitos de seus versos caíram no uso popular, tais como um urubu pousou em minha sorte , a mão que afaga é a mesma que apedreja e outros.




 Augusto dos Anjos - 147 - No claustro

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