Augusto dos Anjos - 148 - Il trovatore





Augusto dos Anjos - 148 - Il trovatore


Canta da torre o trovador saudoso

-- Addio, Eleonora! oh! sonhos meus!

E o canto se desprende harmonioso,

Na vibração final do extremo adeus.


Repercute dolente, mavioso,

Subindo pelo Azul da Inspiração;

Assim canta também meu coração,

Trovador tortorado e angustioso,


Ai! não, não acordeis, lembranças minhas!

Saudade d’umas noutes em que vinhas

Cantar comigo um doce desafio!


Mas, pouco a pouco, os sons esmorecendo,

Perdem-se as notas pelo Azul morrendo,

-- Addio Eleonora, addio, addio!


Augusto dos ANJOS (1884 - 1914) - Eu e Outras Poesias.


Augusto dos Anjos é um dos mais originais poetas brasileiros, e também um dos mais populares. Sua obra consiste, porém, em apenas um livro. Eu foi publicado ainda em vida do autor; outros poemas, publicados em periódicos ou inéditos, foram coligidos após sua morte e acrescentados ao volume organizado pelo autor, renomeado então Eu e Outras Poesias . Aclamada pelo público e pela crítica, sua obra foi repudiada por muitos em sua época, e ainda causa estranheza, pela mistura de vocabulário coloquial e científico, pelos temas exacerbadamente macabros e pessimistas, pelo exagero sistemáticos na linguagem e no tratamento dos temas. Não obstante as controvérsias que cercam sua obra, muitos de seus versos caíram no uso popular, tais como um urubu pousou em minha sorte , a mão que afaga é a mesma que apedreja e outros.




 Augusto dos Anjos - 148 - Il trovatore

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