Augusto dos Anjos - 156 - Ariana





Augusto dos Anjos - 156 - Ariana


Ela é o tipo perfeito da ariana.

Branca, nevada, púbere, mimosa,

A carne exuberante e capitosa

Trescala a essência que de si dimana.


As níeas pomas do candor da rosa,

Rendilhando-lhe o colo de sultana,

Emergem da camisa cetinosa

Entre as rendas sutis de filigrana.


Dorme talvez. Em flácido abandono

Lembra formosa no seu casto sono

A languidez dormente da indiana.


Enquanto o amante pálido, a seu lado,

Medita, a fronte triste, o olhar velado,

No Mistério da Carne Soberana.


Augusto dos ANJOS (1884 - 1914) - Eu e Outras Poesias.


Augusto dos Anjos é um dos mais originais poetas brasileiros, e também um dos mais populares. Sua obra consiste, porém, em apenas um livro. Eu foi publicado ainda em vida do autor; outros poemas, publicados em periódicos ou inéditos, foram coligidos após sua morte e acrescentados ao volume organizado pelo autor, renomeado então Eu e Outras Poesias . Aclamada pelo público e pela crítica, sua obra foi repudiada por muitos em sua época, e ainda causa estranheza, pela mistura de vocabulário coloquial e científico, pelos temas exacerbadamente macabros e pessimistas, pelo exagero sistemáticos na linguagem e no tratamento dos temas. Não obstante as controvérsias que cercam sua obra, muitos de seus versos caíram no uso popular, tais como um urubu pousou em minha sorte , a mão que afaga é a mesma que apedreja e outros.




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