Augusto dos Anjos - 159 - Soneto





Augusto dos Anjos - 159 - Soneto


Adeus, adeus, adeus! E suspirando

Saí deixando morta a minha amada,

Vinha o luar iluminando a estrada

E eu vinha pela estrada soluçando.


Perto um ribeiro claro murmurando

Muito baixinho como quem chorava,

Parecia o ribeiro estar chorando

As lágrimas que eu triste gotejava.


Súbito ecoou o sino o som profundo!

Adeus! -- eu disse. para mim no mundo

Tudo acabou-se, apenas restam mágoas.


Mas no mistério astral da noite bela

Pareceu-me inda ouvir o nome dela

No marulhar monótono das águas!


Augusto dos ANJOS (1884 - 1914) - Eu e Outras Poesias.


Augusto dos Anjos é um dos mais originais poetas brasileiros, e também um dos mais populares. Sua obra consiste, porém, em apenas um livro. Eu foi publicado ainda em vida do autor; outros poemas, publicados em periódicos ou inéditos, foram coligidos após sua morte e acrescentados ao volume organizado pelo autor, renomeado então Eu e Outras Poesias . Aclamada pelo público e pela crítica, sua obra foi repudiada por muitos em sua época, e ainda causa estranheza, pela mistura de vocabulário coloquial e científico, pelos temas exacerbadamente macabros e pessimistas, pelo exagero sistemáticos na linguagem e no tratamento dos temas. Não obstante as controvérsias que cercam sua obra, muitos de seus versos caíram no uso popular, tais como um urubu pousou em minha sorte , a mão que afaga é a mesma que apedreja e outros.




 Augusto dos Anjos - 159 - Soneto

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