Augusto dos Anjos - 162 - A minha estrela





Augusto dos Anjos - 162 - A minha estrela


Eu disse -- Vai-te, estrela do Passado!

Esconde-te no Azul da Imensidade,

Lá onde nunca chegue esta saudade,

-- A sombra deste afeto estiolado.


Disse, e a estrela foi p’ra o Céu subindo,

Minh’alma que de longe a acompanhava,

Viu o adeus que ela do Céu enviava,

E quando ela no Azul foi se sumindo


Surgia a Aurora -- a mágica princesa!

E eu vi o Sol do Céu iluminando

A Catedral da Grande Natureza.


Mas a noute chegou, triste, com ela

Negras sombras também foram chegando,

E eu nunca mais vi a minha estrela!


Augusto dos ANJOS (1884 - 1914) - Eu e Outras Poesias.


Augusto dos Anjos é um dos mais originais poetas brasileiros, e também um dos mais populares. Sua obra consiste, porém, em apenas um livro. Eu foi publicado ainda em vida do autor; outros poemas, publicados em periódicos ou inéditos, foram coligidos após sua morte e acrescentados ao volume organizado pelo autor, renomeado então Eu e Outras Poesias . Aclamada pelo público e pela crítica, sua obra foi repudiada por muitos em sua época, e ainda causa estranheza, pela mistura de vocabulário coloquial e científico, pelos temas exacerbadamente macabros e pessimistas, pelo exagero sistemáticos na linguagem e no tratamento dos temas. Não obstante as controvérsias que cercam sua obra, muitos de seus versos caíram no uso popular, tais como um urubu pousou em minha sorte , a mão que afaga é a mesma que apedreja e outros.




 Augusto dos Anjos - 162 - A minha estrela

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