Augusto dos Anjos - 168 - Insânia





Augusto dos Anjos - 168 - Insânia


No mundo vago das idealidades

Afundei minha louca fantasia;

Cedo atraiu-me a auréola fugidia

Da refulgência antiga das idades.


Mas ao esplendor das velhas majestades

Vacila a mente e o seu ardor esfria;

Busquei então na nebulosa fria

Das Ilusões, sonhar novas idades.


Que desespero insano me apavora!

Aqui, chora um ocaso sepultado;

Ali, pompeia a luz da branca aurora


E eu tremo e hesito entre um mistério escuro

-- Quero partir em busca do Passado

-- Quero correr em busca do Futuro.


Augusto dos ANJOS (1884 - 1914) - Eu e Outras Poesias.


Augusto dos Anjos é um dos mais originais poetas brasileiros, e também um dos mais populares. Sua obra consiste, porém, em apenas um livro. Eu foi publicado ainda em vida do autor; outros poemas, publicados em periódicos ou inéditos, foram coligidos após sua morte e acrescentados ao volume organizado pelo autor, renomeado então Eu e Outras Poesias . Aclamada pelo público e pela crítica, sua obra foi repudiada por muitos em sua época, e ainda causa estranheza, pela mistura de vocabulário coloquial e científico, pelos temas exacerbadamente macabros e pessimistas, pelo exagero sistemáticos na linguagem e no tratamento dos temas. Não obstante as controvérsias que cercam sua obra, muitos de seus versos caíram no uso popular, tais como um urubu pousou em minha sorte , a mão que afaga é a mesma que apedreja e outros.




 Augusto dos Anjos - 168 - Insânia

Conteúdo correspondente: