Augusto dos Anjos - 175 - Ideal





Augusto dos Anjos - 175 - Ideal


Quero-te assim, formosa entre as formosas,

No olhar d’amor a mística fulgência

E o misticismo cândido das rosas,

Plena de graça, santa de inocência!


Anjo de luz de astral aurifulgência,

Etéreo como as Wilis vaporosas,

Embaladas no albor da adolescência,

-- Virgens filhas das virgens nebulosas!


Quero-te assim, formosa, entre esplendores,

Colmado o seio de virentes flores,

A alma diluída em eterais cismares...


Quero-te assim -- e que bendita sejas

Como as aras sagradas das igrejas,

Como o Cristo sagrado dos altares.


Augusto dos ANJOS (1884 - 1914) - Eu e Outras Poesias.


Augusto dos Anjos é um dos mais originais poetas brasileiros, e também um dos mais populares. Sua obra consiste, porém, em apenas um livro. Eu foi publicado ainda em vida do autor; outros poemas, publicados em periódicos ou inéditos, foram coligidos após sua morte e acrescentados ao volume organizado pelo autor, renomeado então Eu e Outras Poesias . Aclamada pelo público e pela crítica, sua obra foi repudiada por muitos em sua época, e ainda causa estranheza, pela mistura de vocabulário coloquial e científico, pelos temas exacerbadamente macabros e pessimistas, pelo exagero sistemáticos na linguagem e no tratamento dos temas. Não obstante as controvérsias que cercam sua obra, muitos de seus versos caíram no uso popular, tais como um urubu pousou em minha sorte , a mão que afaga é a mesma que apedreja e outros.




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