Augusto dos Anjos - 180 - Pelo mundo





Augusto dos Anjos - 180 - Pelo mundo


Ânsias que pungem, mórbidos encantos,

Crepitações de flamas incendidas

Nalma explodindo como fogos santos,

Vão pelo mundo ensangüentando as Vidas.


Eflúvios quentes e fatais quebrantos

Crestam a alma das virgens adormidas...

E as brumas velam nos sinistros mantos

E as virgens dormem nas tumbais jazidas!


Súbitos fremem ‘spasmos derradeiros...

E a paixão morre e os corações coveiros

Vão como duendes pelos céus risonhos,


Chorando auroras músicas perdidas

Na estrada santa ensangüentando as Vidas,

Nos campos-santos enterrando os Sonhos!


Augusto dos ANJOS (1884 - 1914) - Eu e Outras Poesias.


Augusto dos Anjos é um dos mais originais poetas brasileiros, e também um dos mais populares. Sua obra consiste, porém, em apenas um livro. Eu foi publicado ainda em vida do autor; outros poemas, publicados em periódicos ou inéditos, foram coligidos após sua morte e acrescentados ao volume organizado pelo autor, renomeado então Eu e Outras Poesias . Aclamada pelo público e pela crítica, sua obra foi repudiada por muitos em sua época, e ainda causa estranheza, pela mistura de vocabulário coloquial e científico, pelos temas exacerbadamente macabros e pessimistas, pelo exagero sistemáticos na linguagem e no tratamento dos temas. Não obstante as controvérsias que cercam sua obra, muitos de seus versos caíram no uso popular, tais como um urubu pousou em minha sorte , a mão que afaga é a mesma que apedreja e outros.




 Augusto dos Anjos - 180 - Pelo mundo

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