João da Cruz e Sousa - Broquéis - 13 - Canção da Formosura





João da Cruz e Sousa - Broquéis - 13 - Canção da Formosura


Vinho de sol ideal canta e cintila

Nos teus olhos, cintila e aos lábios desce,

Desce a boca cheirosa e a empurpurece,

Cintila e canta após dentre a pupila.


Sobe, cantando, a limpidez tranqüila

Da tu'alma estrelada e resplandece,

Canta de novo e na doirada messe

Do teu amor, se perpetua e trila...


Canta e te alaga e se derrama e alaga...

Num rio de ouro, iriante, se propaga

Na tua carne alabastrina e pura.


Cintila e canta na canção das cores,

Na harmonia dos astros sonhadores,

A Canção imortal da Formosura!



João da CRUZ E SOUSA (1861 - 1898) foi um poeta brasileiro, considerado um dos precursores do movimento simbolista no Brasil. Seus poemas são marcados pela musicalidade e pelo sensualismo, mesclado com uma espiritualidade e religiosidade de maneira às vezes espantosa. Broquéis foi seu livro de estréia, e contém algumas de suas obras mais famosas, como o poema Antífona, peça de abertura do livro.




 João da Cruz e Sousa - Broquéis - 13 - Canção da Formosura

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