João da Cruz e Sousa - Broquéis - 36 - Dilacerações





João da Cruz e Sousa - Broquéis - 36 - Dilacerações


Ó carnes que eu amei sangrentamente,

Ó volúpias letais e dolorosas,

Essências de heliotropos e de rosas

De essência morna, tropical, dolente...


Carnes virgens e tépidas do Oriente

Do Sonho e das Estrelas fabulosas,

Carnes acerbas e maravilhosas,

Tentadoras do sol intensamente...


Passai, dilaceradas pelos zeros,

Através dos profundos pesadelos

Que me apunhalam de mortais horrores...


Passai, passai, desfeitas em tormentos,

Em lágrimas, em prantos, em lamentos,

Em ais, em luto, em convulsões, em cores...



João da CRUZ E SOUSA (1861 - 1898) foi um poeta brasileiro, considerado um dos precursores do movimento simbolista no Brasil. Seus poemas são marcados pela musicalidade e pelo sensualismo, mesclado com uma espiritualidade e religiosidade de maneira às vezes espantosa. Broquéis foi seu livro de estréia, e contém algumas de suas obras mais famosas, como o poema Antífona, peça de abertura do livro.




 João da Cruz e Sousa - Broquéis - 36 - Dilacerações

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