Luís Vaz de Camões - Soneto 03 - Busque Amor Novas Artes, Novo Engenho





Luís Vaz de Camões - Soneto 03 - Busque Amor Novas Artes, Novo Engenho


Busque Amor novas artes, novo engenho,

para matar me, e novas esquivanças;

que não pode tirar me as esperanças,

que mal me tirará o que eu não tenho.


Olhai de que esperanças me mantenho!

Vede que perigosas seguranças!

Que não temo contrastes nem mudanças,

andando em bravo mar, perdido o lenho.


Mas, conquanto não pode haver desgosto

onde esperança falta, lá me esconde

Amor um mal, que mata e não se vê.


Que dias há que n'alma me tem posto

um não sei quê, que nasce não sei onde,

vem não sei como, e dói não sei porquê.




 Luís Vaz de Camões - Soneto 03 - Busque Amor Novas Artes, Novo Engenho

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