Luís Vaz de Camões - Soneto 32 - Vos Que, Dolhos Suaves e Serenos





Luís Vaz de Camões - Soneto 32 - Vos Que, Dolhos Suaves e Serenos


Vós, que de olhos suaves e serenos,

Com justa causa a vida captivais,

E que os outros cuidados condemnais

Por indevidos, baixos e pequenos;


Se de Amor os domesticos venenos

Nunca provastes, quero que sintais

Que he tanto mais o amor despois que amais,

Quanto são mais as causas de ser menos.


E não presuma alguem que algum defeito,

Quando na cousa amada se apresenta,

Possa diminuir o amor perfeito:


Antes o dobra mais; e se atormenta,

Pouco a pouco desculpa o brando peito;

Que Amor com seus contrarios se accrescenta.




 Luís Vaz de Camões - Soneto 32 - Vos Que, Dolhos Suaves e Serenos

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