Luís Vaz de Camões - Soneto 43 - Como Quando do Mar Tempestuoso





Luís Vaz de Camões - Soneto 43 - Como Quando do Mar Tempestuoso


Como quando do mar tempestuoso

O marinheiro todo trabalhado,

De um naufrágio cruel saindo a nado,

Só de ouvir falar nele está medroso:


Firme jura que o vê-lo bonançoso

Do seu lar o não tire sossegado;

Mas esquecido já do horror passado,

Dele a fiar se torna cobiçoso:


Assim, Senhora eu, que da tormenta

De vossa vista fujo, por salvar-me,

Jurando de não mais em outra ver-me;


Com a alma que de vós nunca se ausenta,

Me torno, por cobiça de ganhar-me,

Onde estive tão perto de perder-me.




 Luís Vaz de Camões - Soneto 43 - Como Quando do Mar Tempestuoso

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