Poesia: Continuando...




Mistérios do passado


Mistérios do passado

SILVA, Oscar Pereira da. Descoberta do Brasil. [Desembarque de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro em 1500]. 1922. Óleo sobre tela, 190 cm x 333 cm. Acervo Museu Paulista, São Paulo (BR).



Mistérios do passado


Quando Cabral o descobriu,

será que o Brasil sentiu frio?


Diz a História que os índios comeram o bispo Sardinha.

Mas como foi que eles conseguiram abrir a latinha?


Qual o mais velho, diga num segundo:

D. Pedro I ou D. Pedro II?


De que cor era mesmo (eu nunca decoro)

o cavalo branco do Marechal Deodoro?


PAES, José Paulo. É isso ali. Rio de Janeiro: Salamandra, 1984.





Ipês floridos


 Ipês floridos


Ipês floridos


Festa das lanternas!

Os ipês se iluminaram

de globos cor-de-ouro.


Kolody, Helena. Viagem no espelho. Curitiba: Criar, 2001.





O poeta da roça


Sou fio das mata, cantô da mão grossa,

Trabaio na roça, de inverno e de estio.

A minha chupana é tapada de barro,

Só fumo cigarro de páia de mío.


Sou poeta das brenha, não faço o papé

De argum menestré, ou errante cantô

Que veve vagando, com sua viola,

Cantando, pachola, à percura de amô.


Não tenho sabença, pois nunca estudei,

Apenas eu sei o meu nome assiná.

Meu pai, coitadinho! vivia sem cobre,

E o fio do pobre não pode estudá.


Meu verso rastêro, singelo e sem graça,

Não entra na praça, no rico salão,

Meu verso só entra no campo e na roça

Nas pobre paioça, da serra ao sertão.


Só canto o buliço da vida apertada,

Da lida pesada, das roça e dos eito.

E às vez, recordando a feliz mocidade,

Canto uma sodade que mora em meu peito.


Eu canto o cabôco com suas caçada,

Nas noite assombrada que tudo apavora,

Por dentro da mata, com tanta corage

Topando as visage chamada caipora.


Eu canto o vaquêro vestido de côro,

Brigando com o tôro no mato fechado,

Que pega na ponta do brabo novio,

Ganhando lugio do dono do gado.


Eu canto o mendigo de sujo farrapo,

Coberto de trapo e mochila na mão,

Que chora pedindo o socorro dos home,

E tomba de fome, sem casa e sem pão.


E assim, sem cobiça dos cofre luzente,

Eu vivo contente e feliz com a sorte,

Morando no campo, sem vê a cidade,

Cantando as verdade das coisa do Norte.


ASSARÉ, Patativa do. O poeta da roça. In: Correio Braziliense, Brasília, 21 mar. 2002. Caderno Coisas da Vida.






Patativa do Assaré: o poeta que traduziu o sentimento nordestino.


 Patativa do Assaré: o poeta que traduziu o sentimento nordestino.

Patativa do Assaré: o poeta que traduziu o sentimento nordestino.





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