A colonização do sul do Mato Grosso



Desde o século XVIII, havia uma forte preocupação por parte de Portugal em criar vilas e povoamentos em Mato Grosso como forma de garantir a posse da região e, principalmente, evitar invasões de exploradores espanhóis.

A Vila Bela da Santíssima Trindade de Mato Grosso foi transformada em capital da província, além do que já havia sido fundada a Vila Real do Senhor Bom Jesus, que mais tarde foi elevada à categoria de cidade e que, posteriormente, ficou conhecida como Cuiabá, a capital de Mato Grosso.

Neste período, boa parte das cidades eram fundadas próximas dos rios em função da descoberta de metais preciosos.

O povoamento de Mato Grosso aconteceu também em função das minas de metais e pedras preciosas. A maioria da população existente na região era formada por indígenas, então, a solução encontrada foi trazer escravos de origem africana para trabalhar na mineração.


Vista panorâmica de Cuiabá (MS)


Vista panorâmica de Cuiabá (MS)

Vista panorâmica de Cuiabá (MS)





A mineração no Mato Grosso e a escravidão


Assim como a América, a África antes do século XV era habitada por povos de diferentes culturas, com suas próprias experiências históricas e estava dividida em vários reinos ou Estados.

A história deste continente, antes da chegada dos europeus para escravizar seus habitantes e retirar suas riquezas, é repleta de acontecimentos fascinantes, normalmente ignorada pela maioria dos relatos históricos.

Eram inúmeros reinos e impérios que ali se desenvolveram e atingiram grande poder e riqueza. A partir do século X, estudiosos árabes começaram a escrever sobre a grande riqueza dos reinos africanos, o que despertou o interesse dos europeus por este continente.

No continente africano já existia a escravidão, contudo esta se diferenciava da escravidão que os negros iriam enfrentar no seu contato com os europeus.

A distribuição desigual de poder em algumas sociedades africanas gerava disputas e guerras como em outras sociedades na Europa, Ásia e América.

Pouco se sabe como se apresentava a escravidão na África antes do século XVI, nas várias estruturas sociais ali existentes. A instituição da escravidão permaneceu em algumas regiões até o século XX, como por exemplo, em Serra Leoa, em que foi abolida apenas em 1928, e na Etiópia, em 1942.


A mineração no Mato Grosso e a escravidão


 A mineração no Mato Grosso e a escravidão

A mineração no Mato Grosso e a escravidão



As relações de poder foram profundamente alteradas quando estes africanos entraram em contato com os europeus, principalmente as relações comerciais, que antes eram estabelecidas apenas entre eles.

Com a chegada dos comerciantes europeus ao litoral, muitos reinos africanos se tornaram mais ricos e poderosos, compraram armas de fogo dos europeus e guerreavam uns contra os outros para tentar ampliar seus impérios.

Em 1441, a primeira expedição portuguesa, comandada por Antão Gonçalves e Nuno Tristão, apesar de não ser este o seu principal objetivo, inaugurou um novo tipo de comércio, o de homens e mulheres negros, que passaram a ser vendidos por alto preço em Lisboa, capital portuguesa.

Devido ao volume de escravos obtidos já neste período, foi criada a Casa dos Escravos para administrar este lucrativo negócio, que em poucos anos comercializou milhares de escravos africanos.

Entre os africanos trazidos para o Brasil predominavam os bantos e os sudaneses. Os bantos vinham das regiões de Angola, Moçambique e Congo. Os sudaneses eram originários da Costa do Marfim, Nigéria e Daomé (atualmente República do Benin).

Os escravos trabalhavam desde o nascer do dia até o escurecer, quase sem descanso, pois mesmo aos domingos, cultivavam pequenas roças para seu próprio sustento. Devido à péssima alimentação, ao excesso de trabalho e aos maus-tratos o escravo tinha um tempo de vida bastante reduzido. Seu trabalho era constantemente vigiado e sofriam uma série de castigos, mesmo por faltas leves.

Para a mineração vieram mais africanos para serem escravos. A vida de um escravo na mineração também era curta, pois trabalhava em péssimas condições, e no caso da lavra do ouro nos rios, ficava com os pés na água ao manipular a bateia, instrumento que parecia uma peneira, para procurar ouro que estava no meio das pedras.


Fotografia de um menino escravo


Fotografia de um menino escravo

Fotografia de um menino escravo








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