João da Cruz e Sousa - Broquéis - 08 - Cristo de Bronze





João da Cruz e Sousa - Broquéis - 08 - Cristo de Bronze


Ó Cristos de ouro, de marfim, de prata,

Cristos ideais, serenos, luminosos,

Ensangüentados Cristos dolorosos

Cuja cabeça a Dor e a Luz retrata.


Ó Cristos de altivez intemerata,

Ó Cristos de metais estrepitosos

Que gritam como os tigres venenosos

Do desejo carnal que enerva e mata.


Cristos de pedra, de madeira e barro...

Ó Cristo humano, estético, bizarro,

Amortalhado nas fatais injurias...


Na rija cruz aspérrima pregado

Canta o Cristo de bronze do Pecado,

Ri o Cristo de bronze das luxúrias!...



João da CRUZ E SOUSA (1861 - 1898) foi um poeta brasileiro, considerado um dos precursores do movimento simbolista no Brasil. Seus poemas são marcados pela musicalidade e pelo sensualismo, mesclado com uma espiritualidade e religiosidade de maneira às vezes espantosa. Broquéis foi seu livro de estréia, e contém algumas de suas obras mais famosas, como o poema Antífona, peça de abertura do livro.




 João da Cruz e Sousa - Broquéis - 08 - Cristo de Bronze

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