João da Cruz e Sousa - Broquéis - 31 - Vesperal





João da Cruz e Sousa - Broquéis - 31 - Vesperal


Tardes de ouro para harpas dedilhadas

Por sacras solenidades

De catedrais em pompa, iluminadas

Com rituais majestades.


Tardes para quebrantos e surdinas

E salmos virgens e cantos

De vozes celestiais, de vozes finas

De surdinas e quebrantos...


Quando através de altas vidraçarias

De estilos góticos, graves,

O sol, no poente, abre tapeçarias,

Resplandecendo nas naves...


Tardes augustas, bíblicas, serenas,

Com silencio de ascetérios

E aromas leves, castos, de açucenas

Nos claros ares sidéreos...


Tardes de campos repousados, quietos,

Nos longes emocionantes...

De rebanhos saudosos, de secretos

Desejos vagos, errantes...


Ó Tardes de Beethoven, de sonatas,

De um sentimento aéreo e velho...

Tardes da antiga limpidez das pratas,

De Epístolas do Evangelho!...



João da CRUZ E SOUSA (1861 - 1898) foi um poeta brasileiro, considerado um dos precursores do movimento simbolista no Brasil. Seus poemas são marcados pela musicalidade e pelo sensualismo, mesclado com uma espiritualidade e religiosidade de maneira às vezes espantosa. Broquéis foi seu livro de estréia, e contém algumas de suas obras mais famosas, como o poema Antífona, peça de abertura do livro.




 João da Cruz e Sousa - Broquéis - 31 - Vesperal

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