João da Cruz e Sousa - Broquéis - 32 - Dança do Ventre





João da Cruz e Sousa - Broquéis - 32 - Dança do Ventre


Torva, febril, torcicolosamente,

Numa espiral de elétricos volteios,

Na cabeça, nos olhos e nos seios

Fluíam-lhe os venenos da serpente.


Ah! que agonia tenebrosa e ardente!

Que convulsões, que lúbricos anseios,

Quanta volúpia e quantos bamboleios,

Que brusco e horrível sensualismo quente.


O ventre, em pinchos, empinava todo

Como reptil abjecto sobre o lodo,

Espolinhando e retorcido em fúria.


Era a dança macabra e multiforme

De um verme estranho, colossal, enorme,

Do demônio sangrento da luxúria!



João da CRUZ E SOUSA (1861 - 1898) foi um poeta brasileiro, considerado um dos precursores do movimento simbolista no Brasil. Seus poemas são marcados pela musicalidade e pelo sensualismo, mesclado com uma espiritualidade e religiosidade de maneira às vezes espantosa. Broquéis foi seu livro de estréia, e contém algumas de suas obras mais famosas, como o poema Antífona, peça de abertura do livro.




 João da Cruz e Sousa - Broquéis - 32 - Dança do Ventre

Conteúdo correspondente: