João da Cruz e Sousa - Broquéis - 40 - Sinfonias do Ocaso





João da Cruz e Sousa - Broquéis - 40 - Sinfonias do Ocaso


Musselinosas como brumas diurnas

Descem do acaso as sombras harmoniosas,

Sombras veladas e musselinosas

Para as profundas solidões noturnas.


Sacrários virgens, sacrossantas urnas,

Os céus resplendem de sidéreas rosas,

Da lua e das Estrelas majestosas

Iluminando a escuridão das furnas.


Ah! por estes sinfônicos ocasos

A terra exala aromas de áureos vasos,

Incensos de turíbulos divinos.


Os plenilúnios mórbidos vaporam...

E como que no Azul plangem e choram

Cítaras, harpas, bandolins, violinos...



João da CRUZ E SOUSA (1861 - 1898) foi um poeta brasileiro, considerado um dos precursores do movimento simbolista no Brasil. Seus poemas são marcados pela musicalidade e pelo sensualismo, mesclado com uma espiritualidade e religiosidade de maneira às vezes espantosa. Broquéis foi seu livro de estréia, e contém algumas de suas obras mais famosas, como o poema Antífona, peça de abertura do livro.




 João da Cruz e Sousa - Broquéis - 40 - Sinfonias do Ocaso

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