Luís Vaz de Camões - Soneto 04 - Tanto de Meu Estado me Acho Incerto





Luís Vaz de Camões - Soneto 04 - Tanto de Meu Estado me Acho Incerto


Tanto de meu estado me acho incerto,

Que em vivo ardor tremendo estou de frio;

Sem causa, juntamente choro e rio,

O mundo todo abarco, e nada aperto.


É tudo quanto sinto um desconcerto:

Da alma um fogo me sai, da vista um rio;

Agora espero, agora desconfio;

Agora desvario, agora acerto.


Estando em terra, chego ao céu voando;

Num' hora acho mil anos, e é de jeito

Que em mil anos não posso achar um' hora.


Se me pergunta alguém porque assim ando,

Respondo que não sei; porém suspeito

Que só porque vos vi, minha Senhora.




 Luís Vaz de Camões - Soneto 04 - Tanto de Meu Estado me Acho Incerto

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