Luís Vaz de Camões - Soneto 41 - Aquela Fera Humana que Enriquece





Luís Vaz de Camões - Soneto 41 - Aquela Fera Humana que Enriquece


Aquela fera humana que enriquece

A sua presuntuosa tirania

Destas minhas entranhas, onde cria

Amor um mal, que falta quando cresce;


Se nela o Céu mostrou (como parece)

Quanto mostrar ao mundo pretendia,

Porque de minha vida se injuria?

Porque de minha morte se enobrece?


Ora, enfim, sublimai vossa vitória,

Senhora, com vencer-me e cativar-me:

Fazei dela no mundo larga história.


Pois, por mais que vos veja atormentar-me,

Já me fico logrando desta glória

De ver que tendes tanta de matar-me.




 Luís Vaz de Camões - Soneto 41 - Aquela Fera Humana que Enriquece

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