Luís Vaz de Camões - Soneto 66 - Fiou se o Coração, de Muito Isento





Luís Vaz de Camões - Soneto 66 - Fiou se o Coração, de Muito Isento


Fiou-se o coração, de muito isento

de si, cuidando mal que tomaria

tão ilícito amor tal ousadia,

tal modo nunca visto de tormento.


Mas os olhos pintaram tão a tento

outros que visto têm, na fantasia,

que a razão, temerosa do que via,

fugiu, deixando o campo ao pensamento.


Ó Hipólito casto que, de jeito,

de Fedra, tua madrasta, foste amado,

que não sabia ter nenhum respeito!


Em mim vingou o Amor teu casto peito;

mas está desse agravo tão vingado,

que se arrepende já do que tem feito.




 Luís Vaz de Camões - Soneto 66 - Fiou se o Coração, de Muito Isento

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