Luís Vaz de Camões - Soneto 89 - Pois Meus Olhos Não Cansam de Chorar





Luís Vaz de Camões - Soneto 89 - Pois Meus Olhos Não Cansam de Chorar


Pois meus olhos não cansam de chorar

Tristezas, que não cansam de cansar-me;

Pois não abranda o fogo em que abrasar-me

Pôde quem eu jamais pude abrandar;


Não canse o cego Amor de me guiar

Onde nunca de lá possa tornar-me;

Nem deixe o mundo todo de escutar-me,

Enquanto a fraca voz me não deixar.


E se em montes, se em prados, e se em vales

Piedade mora alguma, algum Amor

Em feras, plantas, aves, pedras, águas;


Ouçam a longa história de meus males,

E curem sua dor com minha dor;

Que grandes mágoas podem curar mágoas.




 Luís Vaz de Camões - Soneto 89 - Pois Meus Olhos Não Cansam de Chorar

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