Luís Vaz de Camões - Soneto 96 - Bem sei, Amor, que e certo o que receio





Luís Vaz de Camões - Soneto 96 - Bem sei, Amor, que e certo o que receio


Bem sei, Amor, que é certo o que receio;

Mas tu, porque com isso mais te apuras,

De manhoso, mo negas, e mo juras

Nesse teu arco de ouro; e eu te creio.


A mão tenho metida no meu seio,

E não vejo os meus danos às escuras;

Porém porfias tanto e me asseguras,

Que me digo que minto, e que me enleio.


Nem somente consinto neste engano,

Mas inda to agradeço, e a mim me nego

Tudo o que vejo e sinto de meu dano.


Oh poderoso mal a que me entrego!

Que no meio do justo desengano

Me possa inda cegar um moço cego?




 Luís Vaz de Camões - Soneto 96 - Bem sei, Amor, que e certo o que receio

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