MENU

Poema

Natal Brasileiro - Julia Lopes

Neste esfacelar de usos e tradições, poucas pessoas encontram ainda encanto em seguir costumes de avós que se foram há muito tempo, e de quem as caveiras, lá no fundo das covas, já não guardam nem resquícios de pele!
A nossa vida agitada precisa de um esforço para relembrar os divertimentos antigos, e não é senão por condescendência que muita gente faz horas para ir à missa do galo ou que deixa o espetáculo pela ceia caseira, obrigada a certos pratos que o desuso tornou para muitos paladares simplesmente abomináveis.

O Navio Negreiro - Castro Alves
Amor é fogo que arde sem se ver - Luís Vaz de Camões
Canção do exílio - Gonçalves Dias
How Do I Love Thee? - Elizabeth Barrett Browning
Lembrança de Morrer - Álvares de Azevedo
Los Naranjos - Ignacio Manuel Altamirano
Vozes d'África - Castro Alves
Busque Amor Novas Artes, Novo Engenho - Luís Vaz de Camões
A Canção do Africano - Castro Alves
Versos íntimos - Augusto dos Anjos
Psicologia de um Vencido - Augusto dos Anjos
Ismalia - Alphonsus de Guimaraens
Antífona - João da Cruz e Sousa
As Pombas - Raimundo Correia
Ela - Machado de Assis
Motivo - Cecilia Meireles
À Cidade da Bahia - Gregório de Matos
Que falta nesta cidade - Gregório de Matos
Nel mezzo del camim - Olavo Bilac
A Alvorada do Amor - Olavo Bilac

Natal Brasileiro - Julia Lopes

Neste esfacelar de usos e tradições, poucas pessoas encontram ainda encanto em seguir costumes de avós que se foram há muito tempo, e de quem as caveiras, lá no fundo das covas, já não guardam nem resquícios de pele!
A nossa vida agitada precisa de um esforço para relembrar os divertimentos antigos, e não é senão por condescendência que muita gente faz horas para ir à missa do galo ou que deixa o espetáculo pela ceia caseira, obrigada a certos pratos que o desuso tornou para muitos paladares simplesmente abomináveis.
Noites quentes, maravilhosas noites de verão, banhadas de luar, impregnadas do aroma da magnólia e do jasmim-manga, convidando por certo muito mais aos passeios pelos arredores da cidade, ouvindo cigarras e violas de serenatas, do que a fecharmo-nos em uma sala, em frente a um prato de canja fumegante, entre os globos de gás a toda a luz e uma toalha branca onde a louçaria brilhe com o seu luzimento de esmalte.
Estas festas são doces às mamães, porque chamam para o seu redil as ovelhas soltas por diversos pontos da cidade. Nestes dias, como que se ouvem badaladas de sinos de ouro que, a cada repique, dizem assim:
— Vinde para casa! Vinde para casa! É aqui que vos amam! E as ovelhas param, escutam, torcem caminho e voltam para o aprisco de onde tinham partido.



A amante que espere, pensam os rapazes; que se estorça de raiva vendo-se preferida. É preciso também contentar a mamãe, que sorri acudindo a tudo e a todos com a mesma paciência de há trinta anos, quando os filhos eram pequenos e não sabiam de nada na vida que igualasse à sua companhia!
“Boa mamãe! dizem-lhe eles agora, perdoai os nossos desvarios de rapazes! Nós cá estamos no teu regaço, olhando para o teu rosto, beijando as nossas irmãs.”
E a mamãe vai e vem, com os lábios risonhos e os olhos brilhantes. E o sino de ouro da casa, cujas badaladas se ouvem ao longe, mal ela o sabe! É o seu coração angustiado, pisado de sofrimentos, de dúvidas, de saudades, mas que todo se enflora ainda de esperanças, porque é de mãe!
Festas familiares sois peregrinamente bondosas e dementes para os velhos!



Sim, é por condescendência que muita gente deixa a noitada ao relento pela ceia caseira, em que se comem coisas suculentas, se ouvem valsas marteladas ao piano, ou se conversam assuntos repisados.
Na roça é que estas festas do Natal e do Ano-Bom têm uma cor mais brasileira. Aqui na cidade fazemo-las seguindo os costumes portugueses. O frio do Natal europeu impele as famílias para o interior das suas casas, para o calor dos fogões e das ceias fumegantes. O nosso Natal é tão diverso! Em vez da neve temos o sol; em vez da ventania áspera, que obriga as pobres criaturas a irem para a igreja envoltas em capotes, salpicadas de lama e de chuva, temos noites estreladas, cheirosas, em que moças e rapazes vão à meia-noite ouvir a missa do galo, com trajes alegres, sem recear bronquites, podendo folgar pelos caminhos à luz das estrelas palpitantes e coloridas. Na roça é assim. A criançada come ao ar livre pinhões cozidos e faz a algazarra que apraz. As moças dançam no terreiro com os namorados, e os velhos, sentados sob o alpendre, contam anedotas, rememoram visitas a presépios antigos, até que o sino os chame e eles partam todos, aos magotes, para a capela tão sua conhecida, tão sua amada!
Se fosse possível deveríamos inventar festas adequadas ao nosso clima, estabelecê-las, fixá-las, torná-las nossas.
Os costumes europeus não podem, em absoluto, ser reproduzidos aqui. Há no Brasil climas mais frios do que em alguns países da Europa; no alto Paraná o gelo quebra os galhos das árvores e o aldeão tirita lavrando terra. Mas de que vale isso, se as estações são trocadas e o nosso Natal desabrocha em pleno verão! O nosso Natal! Bem que ele precisa de outro emblema. O velho de longas barbas brancas, nariz cor de morango maduro, capote espesso lanzudo e gorro de peles, é filho das terras nevadas, cortadas pelos uivos do vento, tão cruel para os pobres. O nosso Natal é moço, é risonho, é caritativo; abriga os sem vintém, e as criancinhas nuas não o temem, porque ele afaga-as o seu bafo cheiroso e veste-as com a sua luz quente e doirada!



Mais de sanderlei.com.br

Música - Song
Radar by Sanderlei (TRENDS)
Tudo que rola no mundo musical, incluindo Billboard Hot 100 e músicas de mais de 100 países em 50 diferentes línguas.

PDF Domínio Público
Livros em PDF para Download
Lista completa de Livros em PDF para Download em Domínio Público

Just Go - Viagem Volta ao Mundo
#JustGo - Sanderlei Silveira

Poesia
Poemas by Sanderlei

A Boneca - Olavo Bilac
Descalça vai para a fonte - Luís Vaz de Camões
Ao braço do mesmo menino Jesus quando apareceu - Gregorio de Matos
Língua Portuguesa - Olavo Bilac
Transforma se o Amador na Cousa Amada - Luís Vaz de Camões
Tragédia no lar - Castro Alves
Alma minha gentil que te partiste - Luís Vaz de Camões
A Carolina - Machado de Assis
Como Quando do Mar Tempestuoso - Luís Vaz de Camões
Velhas Árvores - Olavo Bilac
Balada da Neve - Augusto Gil
A mãe do cativo - Castro Alves
Sôbolos rios que vão - Luís Vaz de Camões
Bandido Negro - Castro Alves
Quase - Mário de Sá-Carneiro
A cruz da estrada - Castro Alves
Amar - Florbela Espanca
Budismo Moderno - Augusto dos Anjos
O morcego - Augusto dos Anjos
Porque Quereis, Senhora, que Ofereça - Luís Vaz de Camões
Marabá - Gonçalves Dias
A moleirinha - Guerra Junqueiro
Incensos - João da Cruz e Sousa
Vozes da Morte - Augusto dos Anjos
Cantata à morte de Inês de Castro - Bocage
Fábula - O pássaro e a flor - Castro Alves
A ideia - Augusto dos Anjos
Quem Ve, Senhora, Claro e Manifesto - Luís Vaz de Camões
América - Castro Alves
Mater Dolorosa - Castro Alves
Os doentes - Augusto dos Anjos
Música Misteriosa - João da Cruz e Sousa
Remorso - Castro Alves
O deus-verme - Augusto dos Anjos
O Diário de Anne Frank - PDF
Foi ja Num Tempo Doce Cousa Amar - Luís Vaz de Camões
Saudação a Palmares - Castro Alves
A Esperança - Augusto dos Anjos
Ad veneris lacrimas - Pedro Kilkerry
Vandalismo - Augusto dos Anjos
Aqui sob esta abóbada - Nísia Floresta
Natal Brasileiro - Julia Lopes